Imploras-me o amor,
Este carro abre-alas, sem motor.
Digo-te que há peso e brevidade
Na arrastada passagem da alegria,
Pois tudo termina no fim da avenida.
Desejas-me a carne
Como um cão de rua ao osso precário.
Digo-te que esta carne é vil,
Tanto, quanto,
Um namorado depois do último beijo.
Suplicas-me a alma,
Coisa que não entendo nem nos olhos.
Digo-te que a louca veste saia,
Batom encarnado.
Quem há de acordá-la deste ímpeto?
Dar-te-ei apenas,
O que de verdade há em mim,
Chuva, terra, vento, mar
E este mínimo poema,
Que morrerá em teus lábios.
