INSPIRAÇÕES DO POETA

2 de jul de 2009

CAMINHOS

Nem sei quantas vezes ouvi: Você não tem juízo!
Por isso não vai chegar lá.
Até hoje, não sei onde fica esse lugar.

Sei que ele existe, mas me parece triste.
Quem chegou, pouco ri e quase não chora.
É aceito, mas não tem memória e ta sempre sem hora.

Ainda bem que nasci sem os sisos, e até hoje, não os tenho.
Não cheguei lá, mas cheguei onde preciso.
Tem um pouquinho de inferno, e um tantão de paraíso.

Onde vi crescer uma menina teimosa, que andava descalça,
O tempo inteiro. Água do mar faz cócega! Sapato incomoda.
No máximo, um pé de pato. Ajuda a descer, na onda mais foda.

Vi brotar seus seios, seus primeiros pêlos e ganhar graça de garça.
Ela se irritava. Queria segurar a infância, mas depois compreendeu.
Pensou: Crescer dói, mas cair de bicicleta também. Então viveu!

Colecionou estrelas e luares. Queria ser dançarina.
Tomava banho de chuva. Ganhou duas pneumonias.
Uma semana sem aula! Livros e mais livros. Gostou de ler histórias

Com o amanhecer da juventude, era impossível não se apaixonar.
No Arpoador, o surfista rouba-lhe a marola e o coração.
O primeiro amor. A primeira desilusão.

Que maravilha! A introdução perfeita pra vida.
Daí vieram os amigos, os desafetos, os sonhos. Pontes e precipícios.
Muitas lágrimas e mais risos. Morte do fim. Nascer do início.

Essa menina, agora, um pouco senhora, mas ainda sem juízo.
Habita em meu universo. Fez-me fazer versos e chegar até aqui, feliz.
Onde sou, simplesmente poeta. Não cheguei lá, mas também nunca quis!

3 comentários:

Everson Russo disse...

O nosso juizo é o que mandao o coraçao, o que nos encaminha a alma e nossos desejos, lindo seu blog...beijos, otimo finalzinho de domingo e uma linda semana...

Paulo Tamburro disse...

IRA BUSCACIO, acho que descendemos de italianos.

Se não for o seu caso, saiba que este texto é um rompante existencial, tipico dos carcamanos.

Tão tipico como as carpideiras, que, entre um sanduiche, e outro de mortadela, choram os nossos mortos até perderem a voz sem derramarem, uma única lágrima.

Ou então, típico também , como ainda , hoje na Calabria, em Consensa, as mulheres são obrigadas a estenderem um lençol branco na sacada, após a primeira noite de Lua de mel, manchado de sangue.

É a prova inconteste da sua virgindade.

E como ,nem mais em Consesa , na Calabria, existe mais virgens, elas usam sangue de galimha.

Então, no dia seguinte, todo mundo sabe que não é dela, mais a tradição é mais forte que os valores da moral, entre aspas, e da razão.

Buscacio, adorei a Ira e garanto de voltarei sempre aqui, até para acompanhar o dia em que você, acreditar que já é uma bela escritora e uma excelente poeta.

Obrigado por prestigiar meu blog de humor. É a única coisa que eu sei escrever.

Sei?

Marcelo Novaes disse...

Ira,



Passos de garça graciosos.




Beijos,








Marcelo.