13/03/2012
Poeminha Viciado
Sob meu vestido vagabundo
Há um poema de seda.
Curvo, antigo e trêmulo,
Mas é nele que cabe o mundo.
Sob meus óculos vermelho
Há deveras poemas sujos,
De porra, cimento e espúrio,
Mas são neles que cabe o espelho
Sob minha célula moribunda
Há nação de poemas nus em pêlo,
- Trepando e gozando –
E são neles que a vida abunda.
09/03/2012
Fraturas e Talas Para Golpes Fortes
Meu amor?
Um tal desditoso e franzino
Foi caindo
Caindo...
Descambou-se das nuvens,
Até o tatame,
Um vexame!
Primeiro, um koka
Droga!
Depois, wazari
Quase!
Por fim, o Ippon,
No tom maior
Do Adeus
Pobres cotovelos constrangidos
Quedaram-se iludidos
Ah, como doeu!
06/03/2012
Tecido Fino Para Pele Áspera
O poeta perdeu a mão, a cabeça e a língua,
Mas a voz,
Esta anda a vestir o espírito de porco,
De alimento composto,
Sem-dó e na contramão.
29/02/2012
Mágico dos Doces com Recheios Amorosos
Ele tinha nos bolsos o amor,
Um primordial cheiro de chocolate
E pouca vida pra viver.
Eu o amava sem sabê-lo,
Outra coisa que não fosse mágico,
E ele tinha gosto doce,
E era doce,
Como o branco algodão dos cabelos,
Que eu cheirava antes do beijo.
Ele chegava nas tardes terminadas,
Quando o sono era farsa, o meu.
Vestido de papel rococó e caramelo,
Suas mãos bailavam no ar, a presteza dos dedos,
Que me surpreendiam os olhos.
Eu, platéia única, cândida e buliçosa,
Jamais intimei o ritual bruxolento,
Misto de açúcar e amor,
Pois aquele xamã conhecia o mel como ninguém.
Ele ria daquela molecagem,
Enquanto eu despertava aquele bem, só nosso,
Com os mínimos braços albergados em seu colo.
Eu era sua menina, ele, meu gigante prestidigitador,
Que sacava das algibeiras o gosto da felicidade.
Assim viveu seis anos,
O mágico dos afetos inesquecíveis,
Embora em silêncio, sua mágica, ainda continue
Nas noites de sonhos, a espantar meus olhos.
Para Cesar Buscacio (meu pai), in memorian
27/02/2012
Encontros
Desde o dia em que fiz minha primeira postagem, nessa ferramenta virtual, não imaginava que criaria laços de amizade, muito menos que, esses laços se materializassem em forma de gente muito boa, nessa minha vida bem real, mas aconteceu. O “Faces do Poeta” esta perto dos cinco anos e, nesse tempo, deu-me muitos amigos que gostaria de abraçar a todos, mas sei que é quase impossível, ainda assim, sempre que houver uma oportunidade de encontro, eu faço questão de promove-lo, pois a linguagem poética me fez entender o quanto é maravilhoso tocar nossa humanidade através do outro.
Esse é o Antônio Cláudio Zamagna, o Tuca do blog Desinformação Seletiva – http://tucazamagna.blogspot.com
O primeiro amigo materializado, em grande barba e muito humor. Um encontro sem versos, mas de muita prosa, cerveja e muitos sorrisos, no Bar Costello, Gávea, Rio de janeiro. Valeu Tuca!
24/02/2012
Incêndios Sob Águas Simpaticamente Infernais
Vejo-te crescer nas vagas,
Força de embarcação em ânsia,
Esse querer que antecede a praia
E me apaixona a maresia,
O peito repleto de mar,
Esse mundo de afagos afogados,
Entre ouriços e pérolas,
O espelho dos náufragos.
É tanta simpatia, rósea simpatia,
Que céu deita extravagante nas águas,
Desse meu horizonte exaurido de veleiros ondulantes,
O destino é lilás.
É mais, e mais,
Quase uma submersa tribo de sorrisos,
Que nadam até abraços sobreviventes
E minha areia é quente,
Pois fogo não tem pés
E eu não tenho cabeça,
Só espuma, borbulhas,
Uma alma que teima em incendiar o inferno
E inundar o mar.
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