INSPIRAÇÕES DO POETA

8 de set de 2010

Pescador




Teria sido diferente, se tivesse feito diferente? Que distancia infinita tem esse (e)feito, que não cabe em mim, nem em você, porque já não somos um lá sei o quê, de qualquer coisa. Não sei se chegamos a ser qualquer coisa, mas era uma boa hora pra gente encontrar um significado pra essa necessidade que temos de não perder a ponta do fio.
Investigamos-nos, por toda e qualquer fresta que possibilite ao menos, um pedacinho que seja do outro. Eu, mais descaradamente, até porque não quero ser um submarino bombardeado e destruído, imerso e esquecido no fundo do mar. Preciso estar presente em seu olhar, ainda que esse olhar chova de raios. Preciso ser lembrança e que lhe doa o peito, a garganta resseque, os pelos exalem meu cheiro e que febril fique o falo. Que me odeie por rasgar a fantasia de mulher perfeita, que não quero ser, e por não controlar minha insanidade poética, pois dessa forma insuspeita, ainda vivo, dentro, fervendo-lhe as carnes. Que me odeie por sua covardia. Eu não sou sólida! Sou líquida e escorro pelas mãos. Entranho na pele e ardo, e dou vertigem e quem sabe curo.
Penso, um cigarro inteiro e penso: Se um pescador, pela primeira vez enfrenta uma tormenta e desiste, não é pescador? E se depois da tormenta o mar virasse espelho, liso e reflexo? E se o reflexo atraísse o peixe? E se o peixe se rendesse a rede? E se a rede fosse mão? Penso, mais um cigarro inteiro e penso: É que o medo não faz pescador!
Você disse que me amava e eu pensei: Uau! Ele ama o sol, a lua, à noite, o dia, o que odeia em mim, o que sou, o que me desconheço, o que sobrou, o que ainda vem, a poesia, a música, minhas asas e essa minha humanidade inquieta. Eu, simplesmente, não resisti ao “eu te amo” e fiz sua mudança pra dentro de mim. Trouxe tudo, inclusive às teorias psicanalíticas.
Eu quis tanto não entender e só sentir, que nem me dei conta do seu desenho. Não era eu, óleo sobre tela! Eu sou somente um esboço tentando encontrar os traços, algumas cores e me deixo riscar. Eu quis tanto, nada além de você, que dei minha alma mal acabada pra você ler. Estranhar algumas páginas desse diário de sete chaves e, mesmo assim, gostar. Mas coisa que não se faz é abrir acessos e eu fiz! Deixei que entrasse ao fundo e me perdi. Perdi as chaves e não encontro tua saída. E te perdi na corrente sanguínea.
Tudo bem! Ainda temos um outro carnaval pela frente. Talvez umas férias dessas nossas cabeças, quem sabe os corações descubram no meio desse vermelho todo, um pedacinho branco, onde a gente escreva... EU TE AMO e o resto que se foda!

15 comentários:

Franck disse...

Seus textos, sempre intensos! Seja carnaval, luar, vertigem...o que importa a dor e o amor?
Bjs*

Márcio Kindermann disse...

Ah... isso lembrou
Onde está chave que abre esta porta?! (Objeto-arte e poesia MK)

Estou ainda a procura... porque, porques? Amor e dor, é sempre assim e tem porque? Foda-se as respostas e as dores, desde que haja sempre por aí...amores!
Bj meu... sempre me encantando!

Marcelo R. Rezende disse...

Um jeito meio maluco de encarar o fato, né?
Meio que tentar se jogar e ver no que dá. Mas como diz a música, "todo carnaval tem seu fim".

Beijo.

Érica Amorim disse...

Ah! esse amor... tbém invadiu minhas veias.. meu sangue tá destilado hahaha e eu acho bom!

bjãO

Sil.. disse...

Ira, minha linda!

Sabe que pra essas coisas de amor, eu sou tão encanada...
Eu sei que não devia, mas amor pra mim sempre teve um significado de dor.
Talvez porque eu tive relações com pessoas covardes demais, que não enxergaram a mim.
Me desconhecem.
Mas amor é sempre tão bom, tão bom viver, sentir, apesar "dos".

E que se fodaaaaaaa o resto.

Te abraço forte!

Jorge Pimenta disse...

este texto toca todos os pontos que nos percorrem quando agarrados pelo amor: da vertigem à queda; do começo ao recomeço; da entrega e à renúncia; dos silêncio e não ditos à confissão despudorada; da pele frágil à ferida insanável... e o resto? que importa? o resto que se foda. esta é a verdadeira poesia; a verdadeira essência da vida - o amor.
um beijinho, poeta-amiga!

Ulisses Barreto disse...

ha o amor! até para amar temos que ter coragem... bjos adorei!

Cadinho RoCo disse...

De fato o que interessa mesmo é amar.
Cadinho RoCo

Luiza disse...

Lindo o seu blog... te sigo...

Beijinhoooo

Sil.. disse...

Ira,

boraaaaaaaaaaaaaaaaaaa pro chopp amadaaaaaaaaa!

Não restará pedra sobre pedra nesse nosso encontro de amigas de berçário kkkkkkkkkkkk

Beijoooooooooooooo

Kátia disse...

Oi Lindona!!
Que texto lindooooo!!
Nossa! Entrega total...
Amei.
Beijos

Lily disse...

Amanhã, eu volto pra comentar o texto.

Passando aqui rapidinho porque vi você na casa da Sil e não dei conta das suas palavras...risos...risos...

Minha amiga, dor de barriga no trânsito eu sei o que é. Num trânsito engarrafado, em BH, dois, três anos atrás, inesquecível.

Algo delirante, febril, alucinógeno. Eu queria sair correndo, deixar o carro no meio da avenida, eu queria gritar socorro por uma ambulância, eu queria me desintegrar.

Ai, ai, ai...

P.S.: quanto aos chops, está fechado. A gente sorteia qual vai ser a cidade: RJ, SP ou BH. E, nos encontraremos sim! Amém! Que Deus cuide de nós!

Beijos!

Não recebi esta tua atualização.

Edson disse...

O amor e suas mil faces. O amor nos move e nos comove. Atualmente, como um pescador, larguei a terra firme e me joguei em meu sonho em busca de uma realidade futura. Estou enfrentando tormentas, mas não largo o leme. Com certeza a tempestade passará e conseguirei ver o sol por entre as nuvens que se dissipam.
Sobre a proteção que você me perguntou... Nunca tivemos, muito menos agora nas eleições. Quem irá proteger números... É isso que somos.

aluisio martins disse...

"Penso, um cigarro inteiro e penso: Se um pescador, pela primeira vez enfrenta uma tormenta e desiste, não é pescador? E se depois da tormenta o mar virasse espelho, liso e reflexo? E se o reflexo atraísse o peixe? E se o peixe se rendesse a rede? E se a rede fosse mão? Penso, mais um cigarro inteiro e penso: É que o medo não faz pescador!"
Mulher, você é poesia pura. Mar grande de navegar. É preciso coragem para alcançar teus horizontes.
abs

Lily disse...

Outro texto/desabafo lindo!

Há tantos descompassos na relação de amor, tantas comunicações mal transmitidas, tantos medos e receios vãos. Sim, o pescador não tem medo, nunca tem, se tivesse não seria pescador. O medo faz o outro deixar de ser o nosso amor. O medo mata, pricipalmente o medo da doação.

Beijos!