INSPIRAÇÕES DO POETA

25 de abr de 2011

Questão de Identidade




Outro dia fiquei aliviada e encantada lendo uma crônica do Veríssimo, como se não fosse sempre muito bom lê-lo. Pude certificar-me que, graças a todos os Deuses da linguagem, não estou sozinha na pouca intimidade com a gramática. Não que eu tenha alguma intenção em mascarar a face do meu português minguado e muito menos comparar-me a iluminados como é o caso do Luís (o Veríssimo). Sem dúvida nenhuma, esse mero detalhe causou-me inegável conforto, como lexotan em dias de neura.
Não sei se o que escrevo interessa a nossa literatura ou talvez algum vizinho, um primo, o dono do açougue, a moça da farmácia, enfim, alguém que tenha o hábito saudável da leitura.
Na verdade, só escrevo por uma questão de sobrevivência e de uma necessidade quase orgânica. Sem essa fantástica comunicação que é de ¨mim para o meu (eu ) ser ou para ser eu¨, acho que estaria chamando urubu de meu louro.
Concordo plenamente que a linguagem, qualquer uma, é um meio de comunicação e como tal deve-se respeitá-la sim, mas com tolerância maternal. É necessário acolhê-la, mas também libertá-la na hora certa. Deixá-la caminhar e amadurecer, com todas as possibilidades. Sem liberdade não há expressão que agüente!
Imagine o pensamento criativo tendo como limite uma muralha gramatical? Quantas obras exuberantes e criativas não seriam expulsas do paraíso literário, simplesmente, por subverterem a ordem tirânica da gramática. E eu me pergunto: - é justo?
Alguns acadêmicos ignoram a sensibilidade da forma, do conteúdo imaginativo e talentoso que diverte e toca profundamente nossas emoções. Atiram pedras nas Madalenas sem princípios, que usam e abusam do português por puro deleite da língua.
Devemos ser generosos com a linguagem. Tomá-la para si com desprendimento. Permitindo-se e permitindo-lhe: criar e recriar, inventar, investir, mas fundamentalmente ser e fazer uma comunicação acessível a todos e não tão somente a elite intelectual.
Infelizmente, não posso considerar-me um gigolô das palavras (apesar de todo esforço que faço) como o próprio Luís intitula-se. Lamentavelmente, não vivo às suas custas, mas posso qualificar nosso relacionamento de amor bandido! Amor que puxa e repuxa, morde e assopra, sente e ressente, sofre, mas é incondicional e ponto.
Fazer-se entender é à base da língua, portanto, sem o menor pudor digo e afirmo: - A linguagem é do povo e para o povo, o resto é mofo!

20 comentários:

Tereza disse...

Nossa, que visual novo! Belíssima!
Muito tempo sem passar por aqui- e noutros blogs também-, deu saudades.
Tb não sou lá letrado, e nem pretendo... e torço o nariz pra textos muito rebuscados. Entender a mensagem e interpretá-la é o essencial.

bjus, Camaleoa!

Tereza disse...

é o Athila... minha mãe tá roubando meus coments rs

Zil Mar disse...

seu visual está lindo!

como tudo o que vc escreve!!!!!!



meu carinho....



Zil

Edson disse...

Adorei sua colocação a respeito da escrita. Eu sempre tenho comigo uma opinião. Existe aqueles que escrevem bem, que sabe de ortografia ao extremo da perfeição. Existem aqueles que sabem escrever, que são capazes de emocionar através da escrita, mas nem sempre escrevem bem.
Quando escrevo, esqueço de todas as regras, pois a emoção é quem manda. Depois que ela(a emoção) se vai é que entra a correção. A escrita é feita de emoções... Emoções diversas.

Lucas Nícolas™ disse...

Muito obrigado pela força que tu me passastes neste texto, é a mesma maneira que vejo os mundos poéticos, varias pessoas em seus mundos, suas formas de pensarem, seus sonhos.

► JOTA ENE ◄ disse...

ººº
Novo layout (imagem de topo, lindissima).

Beijo e excelente semana ...!

Dilmar Gomes disse...

Querida, tu estás correta. É necessário distender a língua, simplificá-la, recriá-la, redimensioná-la, enfim, retirá-la do pedestal acadêmico, lugar em alguns doutores tentam aprisioná-la.
Gostei do teu visual despojado.
Um grande abraço.

Nilson Barcelli disse...

Os grandes escritores escrevem com palavras simples. Mas isto não quer dizer que não transmitam grandes ideias...
Os outros são filósofos ou coisa do género.
Concordo contigo, portanto.
Querida amiga, boa semana.
Beijos.

Marcia Morais disse...

Minha Amiga vc arraza!!! disse tudo! e eu assino em baixo
Marcinha rs

bjks!

♪ Sil disse...

Amadaaaaaaaa, primeiro lugar:

- TÁ LINDAAAAAAAAAAA DE VISU NOVO -

(Aliás, nasceu linda).

E Verissimo? Ele é o caraaaaaa, adoro, sou fã de carteirinha!

E assino embaixo do que você disse e não abro:


A linguagem é do povo e para o povo, o resto é mofo!


No mais, aqui tá indo tudo bem.
Essa semana vou passar no médico em Sampa (não sei a data ainda, mas te conto).
E ai, dançou a salsa? Ahhh, tá certissimaaaaaaaa.
Eu ando com mil planos tbm.
E mais: Cara, to pensando em sair do loiro pra ir prum ruivo (cabelo) hehehe.
Eu enjôo , e tinha o hábito de mudar a cor dos cabelos todo mês. Agora, com esse monteeee de brancos (Que tenho desde os 18 anos), paralisei no loiro, mas to pensando em radicalizar hehehe.

Um beijoooooooooo, metade adorada de mim!

Sandra Botelho disse...

Caraca que mulher camaleoa...Lindaaaaaaaaaaaa...
Amo ler vc viu?
beijos achocolatados

Antonio José Rodrigues disse...

"Aquilo que é verdadeiro, simples e sincero é bastante compatível com a natureza do homem." (Cícero)

Poetisa, gostei da nova face do blog. Beijos de renascimento

Poeta del Cielo disse...

Belisimas letras Ira uma profundeza nacida da alma.. parabens sempre amiga...

Ira amiga esta lindo o novo cambio que deu amiga esta linda amiga... seu blog lindo..

saludos
otima semana
abracos

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Ira,
Esse texto do Veríssimo deveria valer como diploma ou certificado de curso de Letras, ou uma pós, sei lá...
Das coisas mais inteligentes e ao mesmo tempo simples que já li na língua portuguesa, tão 'mau tratada' por falsos estetas, feito eu, por exemplo...
Prazêxtase imenso sempre poder estar-me aqui, no teu Faces, moça sensível do Rio...

Doce abraço de Páscoa atrasado,
Pedro ramúcio.

Lucas Nícolas™ disse...

Amo seu modo de pensar... E eu que digo obrigado a ti linda! me inspira muito. Tudo que escrevo depois que comecei a ler teus versos, textos, poemas , enfim o teu "pensar" alimenta minha mente... Continue até o dia de sua morte chegar... Abraços e ótima semana para TI...

Brasil Desnudo disse...

Bom dia, minha querida Ira!!

Olha!

Seu texto caiu da forma certa!

Esse fim de semana conversava com uma amiga sobre esse tema, ao ler um livro de uma criança da 5 série. Onde a linguagem dificultava até mesmo o entendimento do do tema abordado.
Seus post demonstra a simplicidade de levar para todos, o entendimento de uma assunto abordato, mas que de forma simples, gera entendimento para todos.

Show de bolo, meus parabéns minha Ira.

Uma ótima semana pra ti

bjs no coração

Marcio RJ

Assis Freitas disse...

a linguagem é pura alquimia está sempre a transformar-se,


beijo

carmen silvia presotto disse...

Ira, concordo a linguagem é patrímônio cultural de um país, é do povo, e o resto é mofo e te conto que, como professora de Língua Portuguesa tive que deixar de trabalhar com a gramática para poder usar e criar conforme minha imaginação, para transformar a linguagem...

Penso que é bom termos conhecimento da teoria, mas esta por si só não vale nada se comparada com o uso diário da linguagem... a gramática está lá para todos abrirem consultarem, por isso é importante ler e escrever, tomar uso do que é nosso por direito.

Um beijo, boa semana e parabéns pelo novo visual, as faces da poeta estão lindas!!

Carmen.

Jorge Pimenta disse...

querida ira,
a linguagem é do povo, mas o povo é... linguagem. nesta relação identitária tem de haver alguma harmonia, ou o que se dá sem se esperar retorno acaba por reclamar compensação - e essa seria a maior iniquidade de que quem usa e da linguagem ou dela própria por usar como veículo de consumação o povo.
assim: se ela muda, ele adapta; se ele rebusca, ela contorce e distende; se ela flexibiliza, ele geme baixinho; se ele grita, ela amua; se ele amua, ela lambe, se...
beijos e mil palavras!

Nielson Alves disse...

LINDA SUAS PALAVRAS e LINDA SEUS TRAÇOS