INSPIRAÇÕES DO POETA

11 de jul de 2008

Entre o Inferno e o Céu

Ainda que tentes enevoar meus olhos com palavras, apenas palavras são.
E como poderias cegar-me, se és tu, minha invenção.
Tu foste criado por mim, meu querubim, meu diabo!
Não há pecado que escondas, nem mesmo teu próprio rabo.
Sei-te de cor, não te iludas! Mas gosto que me convenças.
Mostre-me tua asa (farsa), que queimas em brasas densas.
Por estas andanças, nas tramas das camas, onde se farta de gozo e dor.
Mas saibas que não há inferno maior, que desistir do amor.
Bebo-te pausadamente, entre o fel e o mel, a língua sente,
Ressente a tua escolha, pois tu te queres ausente.
Não temas a razão ou mesmo a falta dela. Coisa que o amor nos da.
Pois no inferno ou no céu,
Razão maior desta vida é amar.

Um comentário:

ROSA E OLIVIER disse...

"eres como la noche, callada y constelada."...!?...

Saluto mille!