INSPIRAÇÕES DO POETA

17 de jun de 2009

QUESTÃO DE IDENTIDADE

Outro dia fiquei aliviada e encantada lendo uma crônica do Veríssimo, como se não fosse sempre muito bom lê-lo. Pude certificar-me que, graças a todos os Deuses da linguagem, não estou sozinha na pouca intimidade com a gramática. Não que eu tenha alguma intenção em mascarar a face do meu português minguado, muito menos comparar-me a iluminados, como é o caso do Luís (o Veríssimo). Sem dúvida nenhuma, esse mero detalhe causou-me inegável conforto. Como aspirina na enxaqueca!
Não sei se o que escrevo interessa a nossa literatura ou, talvez algum vizinho, um primo, o dono do açougue, a moça da farmácia, enfim, alguém que tenha o hábito saudável da leitura. Na verdade, só escrevo por uma questão de sobrevivência da alma e de uma necessidade quase orgânica. Sem essa fantástica comunicação que é de ¨mim para o meu (eu ) ser ou para ser eu¨, acho que estaria no caos da loucura.
Concordo plenamente que a linguagem, qualquer uma, é um meio de comunicação e, como tal, deve-se respeitá-la sim, mas com tolerância maternal. É necessário acolhê-la, mas também libertá-la na hora certa. Deixá-la caminhar e amadurecer, com todas as possibilidades. Sem liberdade não há expressão que agüente!
Imagine o pensamento criativo tendo como limite uma muralha gramatical? Quantas obras exuberantes e criativas não seriam expulsas do paraíso literário, simplesmente, por subverterem a ordem tirânica da gramática. E eu me pergunto: - é justo?
Alguns acadêmicos ignoram a sensibilidade da forma, do conteúdo imaginativo e talentoso que diverte e toca profundamente nossas emoções. Atiram pedras nas Madalenas sem princípios, que usam e abusam do português por puro deleite da língua.
Devemos ser generosos com a linguagem. Tomá-la para si com desprendimento. Permitindo-se e permitindo-lhe: criar e recriar, inventar, investir, mas fundamentalmente ser e fazer uma comunicação acessível a todos e, não tão somente, a elite intelectual.
Infelizmente, não posso considerar-me um gigolô das palavras (apesar de todo esforço que faço), como o próprio Luís intitula-se. Lamentavelmente, não vivo às suas custas, mas posso qualificar nosso relacionamento de, amor bandido! Amor que puxa e repuxa, sente e ressente, ama e maltrata, sofre, mas é incondicional e pronto.
Fazer-se entender é à base da língua, portanto, sem o menor pudor digo e afirmo: - a linguagem é do povo e para o povo, o resto é mofo.

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