INSPIRAÇÕES DO POETA

25 de jul de 2009

Mais que eu


Sabe pouco de mim, mas muito mais que eu.
Sabe me pegar pelo pé, coisa que nunca consegui!
Sempre fui menina, sem siso pulando de abismo em abismo.
E agora, por você, só penso em cair.

Jogar-me de cabeça. Não! Melhor de bunda, que é menos dura,
Afinal, já passei dos quarenta.
Cair nesse colo que às vezes me nega, mas que é de homem,
Com meus sessenta quilos bem vividos. Será que você agüenta?

Depois, me aconchegar no seu peito, que graças ao DNA, tem pêlos.
Ouvir o que quero e o que não quero, e o que nunca ouvi de outro alguém.
Ler no silêncio dos olhos, o que sua boca nunca sabe dizer. Simples apelos!
E não tentar entender, um só instante, o porquê de ser você, o que mais me convém.

Pode me fazer cócegas, o amor faz cócegas e ri da gente, só não exagera!
Sinto falta de ar. Aí, quarenta minutos de respiração boca a boca, pra começar.
Mas, me deixe chorar um pouco, de mansinho, que é pra celebrar esse carinho.
Logo, a gente cresce e aprende a nadar. Vamos cruzar o Atlântico e amar, amar, amar!

Sabe pouco de mim, mas muito mais que eu...

Um comentário:

Paulo Tamburro disse...

Extremamente bem costurado este poema.

É como se você fosse uma "mulher rendeira" como as famosas trabalhadoras de rendas de Bilros, que durante semanas entrelaçam linhas e só o tempo saberá o que realmente, sairá.

Só então ela conhecerá seu trabalho.

Enquanto isso só os Bilros tem certeza do que ela irá tecer.