INSPIRAÇÕES DO POETA

11 de ago de 2009

Indomesticado




Tenho um coração que nunca cresce,
Não endurece nem a pau nem a pique.
Abatido mil vezes, mas não desiste.
Coração de criança, jamais é triste. Amolece!

Acha que faz tudo certo e faz,
Do contrário seria gente grande.
Gente de pé-atrás, que pensa tanto,
Enquanto o sonho se desfaz.

Recuso-me a envelhecer, como um vulto,
Sem cultivar o bem e o mal.
Ter apenas, uma cara normal,
Viver aleijado e adulto.

Tenho um coração moleque.
Um leque de erros repetitivos,
Pois creio em todo ser vivo.
Se peco, que o outro peque!

Um coração, que faz bobagens,
Porém enorme e insensato.
Dorme com os dois olhos deitados,
Nos vagões, junto às paixões e as bagagens.

Um furioso herói romântico,
O suficiente pra crer no amor.
E se expor em causa própria, na alegria e na dor.
Um aventureiro transatlântico.

E pra quem se deleita de inocência e pecado,
O meu recado é simples e sem palavras.
Tenho um coração cheio de defeitos e mágoas,
Mas tenho a petulância de amar-te indomesticado.

3 comentários:

Anônimo disse...

lindo como tu, como o teu coração, como a tua forma de sentir e viver

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Ira! Adorei o poema, muito profundo.

A um grande amor, não existe, nem nunca existiu indomesticado que resista.

Beijos,

Furtado.

Úrsula Avner disse...

Oi Ira, poema expressivo, intenso, marcante. Gosto da sua escrita poética. Muito bom, ! Bj.