INSPIRAÇÕES DO POETA

5 de set de 2009

Melancolia




Abaixo da pele há um desgosto impermeável,
Que não vasa suor nem dor.
Por dentro incicatrizável,
Por fora fingidor.

Abaixo da pele há um rio represado,
Onde a nostalgia mergulha.
Ora afunda no passado,
Ora emerge em borbulhas.

Abaixo da pele há alguém que respira,
O ar rarefeito de afetos despovoados.
Mascara a face da Ira.
Ira dos esquartejados.

Abaixo da pele há quem suporta,
Os dias de solidão calada.
Onde a tristeza abre a porta,
O que entra é sombra alada.

3 comentários:

Walkyria Suleiman disse...

Ira, não sei se estou particularmente sensível, mas nas tuas palavras, a que vive embaixo da pele se mexeu.... dói né minha amiga! muito liondo, apesar de melancólico. A verdade é assim mesmo.

Úrsula Avner disse...

Oi Ira, amo a melancolia na poesia e no caso deste seu poema, ela foi uma protagonista muito bem versejada. Lindo texto poético, rico em metáforas e de uma profundidade lírica admirável. A imagem ficou perfeita. Amei !
Bj.

Pedro Rodrigues disse...

Muito profundo... Gostei.