INSPIRAÇÕES DO POETA

28 de ago de 2010

O Dom





Eram amantes e havia fogo, como na Pedra Antiga, quando o homem descobre o amor e a cópula frontal. Faz-se o encontro dos olhos e das bocas. Os corações atritam em peitos intumescidos e consentem-se.
Eram completos e havia sede! Dois rios aventureiros, nem sempre navegáveis, a ocultarem segredos de corredeiras, por fim, confluência e destino. Bebiam-se nas águas, sem escassez, que pelo extenso leito deleitavam-se.
Eram insanos e havia razão. Seres vocacionados a liberdade de não pensar, a tal modo, que versavam dores alheias sendo suas, enquanto felizes, suas próprias dores sentiam. Explicavam-se pelo necessário afã da extensão humana.
Eram sombras e havia embate. Nas secretas batalhas da carne, os íntimos entrelaçados morriam-se, tantas vezes que voltavam à vida. Tocavam-se no mais denso dos sentidos: A pele! E matavam-se para viverem mais.
Eram simples e havia punho. Nos ombros exigidos, a câimbra retesava os nervos, que por meio triz não partiram, ao peso estúpido do medo. Duas crianças correndo nos jardins da verdade, quando um grito acovarda-os: É proibido!
Eram humanos e havia surpresa. Nasceram após um beijo, que acendendo olhos propagaram fulgor intenso. A luz amorosa tocou Deuses e Titãs, assim, inferno e céu assustados com o fenômeno deram-lhes um dom. O dom dos poetas.

15 comentários:

Sil.. disse...

Lindoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo demaisssssssssssss!

Beijooooooo Ira, queridaaaaaa!

Franck disse...

Ainda bem que eles, tão humanos, seguiram nas alamedas dos jardins...
Um bom fim de semana!

O Druída disse...

Para essas tuas palavras, vou escolher o melhor vinho. Linda poesia, menina...Que seu domingo seja como tua poesia, magia e encanto..bjuss

Marcelo R. Rezende disse...

Então, eu achei lindo e não creio que eles tenham sido insanos, eram vívidos. Amo isso, a loucura é a mlehor parte do ser humano.

Beijo, querida.

cristinasiqueira disse...

"Eram completos e havia sede."

É o jeito de dizer que cala fundo e a palavra consente.

Tudo de amor para vc amada,

Beijos,

Cris

Sil.. disse...

hehehehehehe, e botaaaaaaaaaaaa comadres nisso!!!

Dentro de mim, tbm tem um oceanoooooooooo amiga!!

Beijooooo, amadaaaaaaaa!!!

Carolina disse...

Olá Ira! Que história linda, e eu gosto da final deu-lhes o dom dos poetas. Parabéns! Você escreve lindamente.

Úrsula Avner disse...

Oi amiga,

lindo e intenso texto que traz mistérios sobre a alma humana, sobre a relação de gênero, perpassando aspectos mitológicos e históricos que você soube grafar poticamente. É sempre muito bom estar aqui ! Bj com carinho.

Feeling what the other feels disse...

Mistérioso texto, será que eram assim mesmo? Insanidade, um pouco disso não faz mal a ninguém. Dom do poeta, muitos receberam-no. Ler bons textos e poemas enchem minha alma. Um ótimo domingo. Adorei aqui. Seguindo-te.

Saozita disse...

Querida Ira, já coloquei no meu blogue " O Livro da Vida ", o teu poema Sarjeta, obrigado pela amabilidade! A tua poesia vem de encontro aos meus sentimentos e o modo como olho o mundo!

Beijinhos

Sãozita

Juliana Carla disse...

Ira,

Triunfante! Cada um busca a sua ou a origem do outro/ nós. Mas, no final cada qual tem o seu dom, o seu motivo, o seu porquê.

Bjuxxx e xerooo amiga.

Lily disse...

Oi,Ira!

Ontem, eu passei aqui, dei uma lida nos teus textos, mas nada comentei (final de semana é difícil para mim). Hoje, você me visitou, obrigada. Voltarei amanhã para comentar com calma esse texto que gostei muito.

Beijos!

Suzana

Jorge Pimenta disse...

genesíaco, este texto: afinal sempre é verdade que o poeta é diferente do vulgo e que prometeu, quando roubou o fogo aos deuses, o entregou aos versejadores e não ao homem...
conjugas, num só sopro, a violência do fogo e a candura da brisa, este teu texto. mas é entre estados que sabemos viver, verdade?
um beijinho!

Kátia disse...

Olá Ira!
Que talento, hei gata?
Beijos!
Fique bem!

Lily disse...

Ira,

Eu, enfim, aqui, com calma.

Seu texto, eu li várias vezes. Identifiquei-me com ele. Se você ler PELE E ENCAIXE e ACONTECEU NO CARNAVAL, textos que publiquei no CONTOS DE LILY, você entenderá.

Você escreveu o sexo, o encontro de dois corpos, da forma que eu admiro, que eu acho mais bela para se escrever sobre isso. Tudo implícito ou quase. Mas tudo deixado para o outro viver a sensação, criar o momento, deslizar na história/ficção alheia.

O sexo assim fica mais excitante. Deixa vontade no ar.

Parabéns!

Beijos!

Suzana/Lily