INSPIRAÇÕES DO POETA

3 de out de 2010

NÃO É A MINHA CARA?




Tenho uma curiosidade, não muito ortodoxa, do ascetismo de certas mulheres. Não sei se essas nascem desérticas e predestinadas à aridez ou se forjam mantos, os quais, como subterrâneos encobrem demônios voluntariosos.
De qualquer forma, sem mesmo entender essa espécie descorada, apenas comovida com o pudor que as vestem, que deve espinhar até o ventre, eu gostaria de dizer:

Venham e me dêem as mãos, não me importo com seus boicotes e tiricuticos, pois há tempo que ando sozinha nessa sina humana. Torçam seus narizes, que é de todo direito, mas não entortem a liberdade. Não quebrem as asas de quem nos salva.

Não quero exaltar meus sentidos, pois, nem de longe serei melhor ou pior do que qualquer mulher. Alimento-me do inumano de todos nós e sou essa simples macaca.
Essa que pula nos galhos que a suporta, inconstante, e que insiste em procurar pertencer a coisas e gentes que desconhece.
Sigo catando amores, nas cabeças que esbarro como os primatas catam piolhos dos seus iguais, no melhor ritual afetivo.

A necessidade de amar é tão vital, que sem amor, não há nem solidão.

E tenho um enorme desejo de existir, com essa inclinação à gula, que minha alma eximida de culpa tem e que me leva a devorar tudo o que necessita. Poemas, músicas, livros, corações, olhares, silêncios e uma quantidade de humanidade.
Então encho meu estômago dessa massa amorosa, que de tão suave, não pesa, somente sacia.

Quem foi que disse que amor não enche barriga?
Esse, certamente, não estava com a macaca!

17 comentários:

AC disse...

Contundente!
Continue, então, com essa gula de vida, que só lhe fica bem.

beijo :)

Athila Goyaz disse...

O texto é excelente e sendo uma continuação é genial!
Amei!
Bjão!

Franck disse...

'não quebrem as asas de quem nos salva'...fico com essa frase, pq as minhas asas estão cortadas... e eu pensei que iria ter voos rasantes!
Uma boa semana, minha querida! Bjs*

Saozita disse...

Olá Ira, lindo este seu texto! Aspiramos vivenciar e sentir tudo a vida nos dá, sobretudo aspiramos amar e ser amados, sentirmo-nos gente, que sente, ama e sofre. Mas sejamos nós mesmos sempre.

Tem uma boa noite, querida.

Bjs

Sãozita

Úrsula Avner disse...

Oi amiga,

você vai do lirimo profundo ao humor e sempre com muita habilidade e criatividade na escrita. Bj com carinho.

Lila disse...

Minha amiga...continuemos a catar piolhos, continuemos a alimentar essa incessante busca por afetos, inventados ou não, mas, se inventados, que saibamos inventar aqueles onde há troca...o que não enche barriga e nem coração é afeto sem eco.
Sacou macaca lilás? rsss

Bjs

Ira Buscacio disse...

Le, amiga do peito,

Ta sacadérrimoooooooooo!

Vou já procurar ecos pra encher a pança.

Te adoro! bjssssssss

Sil.. disse...

Não sei se essas nascem desérticas e predestinadas à aridez ou se forjam mantos, os quais, como subterrâneos encobrem demônios voluntariosos.

AFFFF, pior que existem mulheres assim.


Eu sou a mulher macaca, pode?

Entupoooooooo a barriga de vida!

TODA VIDA que eu puder. Tenho fome dela.

Beijãoooooooooo Ira, amadaaaa!!!

Machado de Carlos disse...

... E o amor enche quaisquer barrigas!
Que bom ler você, sempre maravilhosa!

Machado de Carlos disse...

Olá, bom dia!

Suas palavras são interessantes. Você entra bem nas veias. Você mostra o sentido da razão em cada comportamento humano. Parabéns pelas suas palavras!

Que bom que você esteve em meu lar. Fico feliz ao receber visitas!

Um grande Abraço!

Phivos Nicolaides disse...

Obrigado querida amiga Ira pela visita e comentário. Olá Ira, obrigado pela gentileza. Abracos, Felipe

Rob Novak disse...

'essa massa amorosa, que de tão suave, não pesa, somente sacia' deveria estar no cardápio de cada um, sempre :)
Bjs

Kátia disse...

"A necessidade de amar é tão vital, que sem amor, não há nem solidão."
Amiga adorei isso!!
Beijos loira linda!!

Érica disse...

eita! sou macaca doida então! rsr
passei pra dividir um galho contigo, acho que aguenta... não pesa admirar a vida mesmo!

bjãO

| A.Luiz.D | disse...

Adoro cutucar tb esse espírito
aborigene amoroso que se instala
em nossa barriga.
Só que esta fome de amar ás vezes se torna o jejum da solidão!

Bjao >>Linda..Ira buscacio

Carolina disse...

Oi Ira, genial e apaixonada Aquáriana! =)

Antonio José Rodrigues disse...

Ira,o poema metafórico simiesco é de uma fina ironia. Pulei de frase em frase e me senti entre a moral e o profano. Beijos