INSPIRAÇÕES DO POETA

2 de out de 2010

Essa é a minha cara!




Hoje, o céu desesperou em lágrimas e tive que cerrar os olhos pra não chover em mim. Estava por um triz de ser enchente. Eu, que ontem estava sol e recolhia risos pro coração.
Ando mesmo assim, um tanto tocada de sabores, pra dizer a verdade, nada me passa a pele sem que eu queime ou congele. Estou pra dentro, onde tudo acontece, mas sem sofreguidão, somente recolhida na minha juventude amadurada, tipo a fruta da época, pronta, generosa e calma, que doa o seu melhor mel, onde já foi azedume e onde não apodrece, antes de se espalhar no pomar.
Penso, com todos os órgãos vitais, em tudo que vivi e dói um pouco. Assim:
A vida é um armário cheio de gavetinhas.
Algumas são fáceis de abrir, de tão, amorosamente, lubrificadas.
Outras temos que puxar com mais veemência e fervor, as benditas enferrujadas.
Na hora do abre e fecha tem sempre aquela que morde o dedo, essa é a que dói até o cotovelo! E pode ser alegre ou triste, porque a dor esta nos quereres e insiste.
Querer que fosse pra sempre.
Querer que jamais houvesse.
Querer que fosse diferente.
Querer que sempre pudesse...
Querer, querer, querer!
Não sou dessas mulheres sem álibis e nem uso solidão como cilício, mas quem me vê assim cantando, hoje vai saber de mim, pois me confesso notas musicais.
Não sou de pequenos afetos. Gosto grande, com apoteose e orquestra. Não sou modesta!
Casei duas vezes e deu certo, o que tinha que dar. Duas vezes pari e duas mulheres melhores do que sempre fui. Uma delas pariu mulherzinha, essa vai ser melhor ainda, a minha pequena valente Valentina!
Não tenho mais pai, mãe, avós, tios, só um irmão que saiu do ninho e nunca mais voltou, alguns primos lá longe, coisas comuns.
É isso! Sou comum. Mulher de qualquer raça e tempo. Exagerada, ao vento, santa, devassa. Madame Bovary, Scarlet Ohara, Margarida Gautier ou Leila Diniz. Uma das loucas que nascem com síndrome de Cinderela, utópica. Pós-moderna, menos fóbica, mas sempre sonhando com o “cara”.
Uma mulher que trabalha, na rua e em casa. Vai ao cinema e volta meio Maryl Streep. Fala o que pensa, sem medo do ridículo. Que chora no fim da novela, mas que vira fera pra defender seus afetos. Uma menina curiosa, que não teme a pergunta e muito menos a resposta. Uma mulher que arde na verdade. A sexy, avassaladora, gostosa, não porque tem carne, mas alma audaciosa, daquelas assustadas e indecorosas, pois sente a delícia nua dos sentidos e se depura no sangue de todo mes!
Uma quase cinquentona de muitas tatuagens, piercings, flores e festins. Mulher de Renoir e de Toulouse-Lautrec. Mulher avec que não se envergonha de ser e sempre sonhar feliz. Mulher que sai sozinha, muito bem acompanhada.
E no meio dessa confusão boa do viver descobri, lá na origem sabichona infantil, poemas nas mãos e resolvi confessá-los. Sabia amá-los, como amava a liberdade de ser essa diversidade humana.
Muito mais tarde, mas um tarde que deu tempo, eu descubro que posso fazer uma casa e vejo que na casa cabe um montão. Longe ou perto. Faço! Liberto, definitivamente, esse amor que ousa sempre propagar-se e faço confidentes, amigos de infância, irmãos, parentes. Faço do poeta um namorado, um amante, que cubra minha pele e meu intelecto, de versos ziguezagueantes.
O meu contentamento, quando não há, eu mesmo invento!

Quero deixar um grande beijo a todos os afetos que fiz aqui. Continuamos juntos!

20 comentários:

Lily disse...

IRA!

Nome forte, exato para uma mulher forte e bela! Uma mulher que se diz comum, mas não parece ser.

IRA é metamorfose, é paixão, lágrima, riso, gozo, palavra, delírio, sonho. IRA se cria, se recria e se inventa. Acontece. Soma, não subtrai.

Beijos!

P.S.: perdi o primeiro comentário, se chegar aí, você escolhe um dos dois.

Jorge Pimenta disse...

ira, arrebatador, no mínimo.
parece que andamos a escrever sobre o mesmo... o maior poema é aquele que se constrói nas sombras das palavras, verdadeira projecção de vida. nesse limbo de meias-realidades e meios-delírios, vive alguém que se define na voragem dos dias com e sem tinta...
sinto-me presente naqueles a quem beijas, desde aqui. retribuo com infinito carinho!

Franck disse...

O senso comum passou longe de vc, minha cara! Precisamos das metamorfoses, dos devaneios, das alegrias, dos sabores, das tristezas... pq com todo esse balaio de emoções, a sensibilidade explode, fica exposta, e, temos textos como esse! Que bom lê-la nesse início de sábado!
Um fim de semana solar!
Bjs*

Athila Goyaz disse...

Lindo ser muitas em uma só e não perder a essência.

Parabéns e vote consciente!

█► JOTA ENE ◄█ disse...

ººº
Seu layout é lindo... ah... mas sua face é mais linda ainda.


BjOO__incongruente

F. Otavio M. Silva disse...

Esse é um exemplo de uma bela poesia sem rimas, Parabens, Pelo texto e por ser como vc eh.

Marcio Nicolau disse...

Prazer em conhecê-la e devo dizer: me identifico com você. Apesar do gênero masculino, também "vou ao cinema e volta meio Meryl Streep". Um achado extraordinário estas palavras!!

Um beijo com muito carinho.

Marcelo R. Rezende disse...

Ira, como você é bela, como você é diversa e como você é... você. Sem esteriótipos, sem convenções furadas.
É um grande prazer 'conversar' com você todos os dias.

Lua Nova disse...

Minha linda e arrebatadora amiga!!!

Que orgulho tenho por vc me chamar de amiga. Vc é como vale a pena ser e vive a vida como vale a pena viver. Nada de mais ou menos, quase, talvez... explosão, força da natureza, mulher santa e devassa, mas tudo na medida certa pra ser feliz. Mais que tudo, senhora de si: "O meu contentamento, quando não há, eu mesmo invento!"
O meu é vir aqui e ler teus textos expetaculares que chacoalham meu coração.
Beijokas e um lindo domingo.

Carolina disse...

É um grande ego e todas as mulheres foram identificadas com você! Estamos um pouco de todos os tempos diferentes. Somos mães, amantes, trabalhadoras, lutadores, filha e neta, que no meu caso, e infelizmente eu não sou.
Você fez um bom retrato de sua realidade e fiquei emocionada.
Um abraço.

Costea disse...

Me gustan los tatuajes de su novia.
Es un hermoso y fuerte, que me inspiran un mil.

Angelo Augusto Paula do Nascimento disse...

Acho que a sina de quem escreve é queimar o tempo todo em sensações quase indescritíveis (algumas o são mesmo!). Nessas épocas a flor da pele, escrev, escreva, escreva. Tenho algo mais ou menos assim. Bjs
Seja sempre feliz, apesar dessa fogeuira que somos.
Tenho uns textos que falam sobre isso. bjs

http://angeloapnascimento.blogspot.com/2010/09/neuroses-proprias.html

http://angeloapnascimento.blogspot.com/2010/08/meus-dedos-em-seus-cabelos.html

http://angeloapnascimento.blogspot.com/2010/05/pra-lembrar-por-que-escrevo.html

André disse...

Olá Ira Buscacio, explenderoso o seu texto, como a sua vida é incrível e vc soube e sabe dar sentida tudo que lhe comoveu. Parabéns pela sua força de viver e isso me impulsina a seguir. Que bom q gostou do post q postei no meu blog.Fico feliz.

Para vc também um ótimo fim de semana e uma votação consciente e honesta consigo mesmo, é o que desejo a vc, a mim e a todos.

Bjos.

| A.Luiz.D | disse...

Ira B.,

Tão transparente, e ainda agora lendo esse texto mergulhei em sua beleza exposta ao sol.
Todas as qualidades moldam sua grandeza de mulher, livre, que caminha e deixa rastros na poesia!

Bjao::::::

Brasil Desnudo disse...

Nossa!!

Garota menina, Ira!!

Não sei se caio da cadeira ou, se bato palmas para uma Mulher tão fascinante, como tu és, onde me lembro uma música linda, onde foi uma das primeiras que aprendi lá atrás,hiiii!! Bem lá atrás, quando eu tinha uns 17 aninhos.. Vixê.. Nem vou dizer a data, se não, digo minha idade..kkk
Mas a música Ira, minha querida, é!!

Rosa

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu...
Pixinguinha...

lembra?

Veio-me na cabeça na hora, ao ler esse texto que te desnuda em encantos verdadeiros de uma verdadeira Mulher...

Por isso que te Adoro minha Ira de rosas e ventos, de ardor e calor forte, que agora, de uma menina Madura, se coloca nua e crua, como és tua Alma...

Essa é a Ira gente!!

Gostaram?

Então babemmmmmm.kkk

Bjs minha querida, e um domingo mais do que Feliz pra Ti.

Marcio RJ

Phivos Nicolaides disse...

Olá! Seu blog é lindo. Se você tiver tempo, visite o meu blog de viagem, que está em Inglês e em grego AQUI!!

Érica disse...

Ei! Gostei da sua cara! rsrsr

E tu é mais que gostosa, é irresistível... madame delícia! porque tem alma, e alma mais que audaciosa! amei!

momento confessionário: gosto de voltar meio Meryl Streep do cinema rsr

bjãO
uma linda semana pra lora!

Sil.. disse...

Ira,

Como disse antes, você nasceu pronta minha amiga!

Lindaaaaaaaaaaa, lindaaaaaaaa de viver!!!!

Um beijo!

Márcio Kindermann disse...

Cara já te conhecia a tempo, nem precisava desta tradução-palavra.
E sempre foste assim com jeito de muitas, mas única... IRA-macaca(!).
bj meu.
mk

Rob Novak disse...

Mais do que saber se definir em palavras você sabe o que sente e qual é sua própria essência.
:)
Bjs e obrigado pelo comentário no poema em meu blog. Suas observações são sempre úteis. Aprecio-as muito.