INSPIRAÇÕES DO POETA

24 de jun de 2011

ALFABETO DAS DESGRAÇAS - Letra M - MONÓLOGO




Quero a primeira vez da voz,
O espanto.
Continuar com a fala, no olho
Que olha dentro.
Ainda expandir carne sob pele
Trançando braços
No abraço que mata essa fome
De inocência
E mais, me perder em risos na rede
Da sua casa,
Onde há um cão que espera
A mão dócil,
Enquanto fareja em mim
O desprotegido
Não uso algemas nem relógio
Só pulso
Estou viva de gente por todos os lados
Materializados
Até o pescoço salvo da guilhotina,
Graças às tendências
Humanas de cinco sentidos, mais um
E vigiam, e vigiam!
Alimentam os pássaros sem destinos
O meu, não sei!
Vejo-me do avesso e ouço o barulho
Do silêncio
Nesse momento muito além do caos,
O inexprimível
Há uma clareza da falta de respostas
As perguntas não ditas
Tudo tão belo quanto o olhar despovoado
Dos recém-nascidos
Devo deixar ruídos amorosos às três meninas,
As minhas!
Quando não mais existirem poemas nem dor,
Nos meus ombros
E deles sairão ecos, dos ecos sairão olhos,
Que as acompanharão
Por todo ventre

Ainda percebo canções e caminhos...
É que a existência das coisas esta no olhar que a reconhece!

12 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Amiga Ira passando por aqui para apreciar o teu alfabeto poético e para deixar o meu abraço.
Tenha um ótimo finds.

CaFoFo online@ disse...

Como doi sentir tantas coisas sozinha, falar sozinha e nao ser ouvida ;(

Márcio Kindermann disse...

Quero pintar, desenhar, arteirar esse seu alfabeto das desgraças, com tempo e transpiração necessaria para acompanhar tamanhos dizeres, seus com palavras, meus com desenhos, um casamento com ou sem o seu SIM.
Bj meu com todas as letras.

Patrícia Pinna disse...

Bom dia, Ira! Amei o que escreveu!
Adoro toda essa força e inteligência aliada à alma, que você coloca em seus poemas!
Muito bom te ler! Beijo grande e excelente fim de semana para você!
Fique com Deus!

Jorge Pimenta disse...

quis um dia perder a dor... perdi a poesia.
quis um dia banir o silêncio... perdi o homem.
ousei um dia perder a voz... deus castigou-me com o monólogo da solidão.
admirável esta série, querida amiga!
beijo-te essas mãos!

Jasanf disse...

Também quero a primeira vez da voz, aquela que falar pelos inocentes e desvalidos, aquela que nutre da melhor essência imagética de poesias para desfazer os recalques que apoderam de nós. Lindo poema, escritora!

Antonio José Rodrigues disse...

"A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero."
Victor Hugo
Otimismo, moça. Beijos tropicais

Luiz Alfredo Nunes de Melo disse...

Uma poeta que escreve
com o ventre e o olhar
rebusca as palavras la dentro
balbucia o verso
e torna a musica do passaro
interior silente
deixando os olhos aberto
e uma forma poética
subjetiva expressa
num poema pessoal
parece que foi escrito
com as entranhas
e com paixão
o ego poético foi escrito
pelo umbigo
negado pelo olhar
que fica percebendo a vida
que pulsa
no pulso desnudo
sem tempo e marcação
tenho encontrado na web
algumas poetas assim:
pensei que elas não existiam
são poetas de pura vontade
florbela era pura paixão
cecília era sentimentos
mas voce e a Izabel Lisboa
são instintos transformados
em versos
preciso tomar um gole tinto
e acender um gitane
para suportar esta inspiração
nascida do ventre poros vontade
e da respiração

Luiz Alfredo - poeta.

Carolina disse...

Os cinco sentidos ao máximo. Beber a vida em grandes goles, mesmo que doa!
Grande ilustração, e muito especial.
Besitos besitos.

Machado de Carlos disse...

Como sempre você escreve com Maestria.
A vida continua com os olhares de sempre.
sigo o seu caminho, sempre!

carmen silvia presotto disse...

"Não uso algemas nem relógio
Só pulso
Estou viva de gente por todos os lados
Materializados..."

Ira, que achado, estes versos vou guardar, porque um mundo de gente me enGente sempre.

Beijos, boa tarde.

Vanessa disse...

Adorei teu blog. Voltarei com certeza..

Abçs!!