INSPIRAÇÕES DO POETA

29 de mai de 2012

Canto de Terror Mudo







É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã... (Renato Russo)


Almodóvar trocou a pele do homem
Sujou os objetos que assustam
Nossos dedos fálicos
Como é injusto habitar a casa de outro
E dormir pérfido
A tramar o assassinato da arquitetura medonha
Paredes impróprias merecem demolição
Ele conhece a ópera da intolerância
Não de ouvido,
Mas de calo em calo
Nos dedos das mãos

Eu tenho dor nos olhos de ver
Ele sabe!
- Esfrega na cara da platéia –
Eu sou platéia e cara!
E a gente come pipoca numa terra de aleijados,
Como galinhas e galos andando pra trás
A tela entra em desespero
A navalha concretiza seu destino fatal
Corta a película que sangra
Estendo as mãos de inocência
E amparo o aborto que cai desse útero medonho
Gal!
A tarântula.

12 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

Um filme impactante!

Beijo,
Doce de Lira

Assis Freitas disse...

thriller de arrepios,


beijo

Marcelo R. Rezende disse...

Profícuo, a gente se sangra. É isso.

Beijo.

Adriana Aleixo disse...

Querida Ira,

Ainda não assisti ao filme, apenas a um pequeno treiller, mas seu escrito me tocou bastante, pois "é injusto habitar a casa do outro" e somos memo, muitas vezes, "uma plateia de aleijados", que busca assim como aquele cirurgião psicótico algo sintético.

Beijinho!

Carolina disse...

Este é um mundo de contrastes, pipoca ao lado da máquina de barbear.
Beijocas.

Joelma B. disse...

suspenso o ar...

beijinho,Ira mais que brilhante!!

meus instantes e momentos disse...

que bom voltar aqui...é muito bom ler voce, reler. tentar ler com a tua alma, ou chegar o mais perto possivel.
maurizio

Cecília Romeu disse...

Ira, linda aquariana!

Instigante...,
forte, intenso e franco como Almodóvar e Ira.

La verdadera 'Piel que habito'.

Beijos e ótimos dias!

☆mnemosine☆ disse...

uau!!!!!
bjs da walll

Jorge Pimenta disse...

"como é injusto habitar a casa do outro"

nesta película de carne e sangue quantas vezes as noções de corpo, espírito, casa, afeto são empréstimos de línguas remotas, desaparecidas antes mesmo do esquecimento de quem as inventou?...

vibrante! brilhante! como toda a tua escrita, poetamiga inspiradora.

beijos!

Fred Caju disse...

Ótimo nos versos e nas referências.

LauraAlberto disse...

Ira...

vi o filme e ao contrário do que por aqui foi dito, considero-o uma obra-prima, diferente do que estávamos habituados do Almodovor, mas inquietante e perturbador, tal como as palavras que aqui nos mostras...

Beijinho