INSPIRAÇÕES DO POETA

3 de jun de 2012

Portoiguais




Navegar nunca foi preciso, já no mar nasci e vivo,
Entre um naufrágio e outro, algumas ilhotas.
Aporto o humano coração em terras sem cultivo.
Revolto-me! Volto inumana ao oceano de mil rotas.

Mergulho desatinada no breu mais profundo,
De quase nada verde, na parede de água dura,
A procura do que desconheço, mas circundo.
Há de um Deus marítimo abençoar-me a loucura?

Sobrevivi aos ciclopes com uma boca de mulher, apenas.
- As centenas de palavras atiradas nas vagas infernais -
Pois descobri Luis, depois Pessoa, em águas cantilenas.
Quando estou viva, morro de amor por estes dois Porto-i-guais.

13 comentários:

Luiz Alfredo disse...

O mar é tua embarcação
que te leva nesse oceano
azul
tão natural ao teu ser
como o pulsar encarnado
de tuas veias
navegas tanto que nem sentes
que é preciso
aportas em tantos lugares
se perdes entre tantas ilhas
mas sempre se encontras
no ponto equidistante
entre dois navegantes
Luis Vaz e Tantos Pessoas
Ursula Polar e Lua(res)
referencias dos teus mares
onde te perdes e te encontras
mergulhadas.

Luiz Alfredo - poeta

Assis Freitas disse...

belo, belo


beijo

Parole disse...

Nossa! Me vi no seu poema.Maravilhosa a sua escrita.Escrever não é nada fácil e por isso precisamos dos nossos mestres.

Beijos e bom domingo.

Sandra Subtil disse...

Maravilhoso! Encantou-me e deixou-me orgulhosa este teu poema.
Beijinho minha querida

Américo do Sul disse...

Navegar sempre foi impreciso. Um fio de pensamento passeia de olhos abertos no cais recheado de lembranças. Vistos de longe todos os portos são iguais. De perto é certo: nenhuma pessoa, nem mesmo o q ressoa Pessoa, é normal. No alto mar do tempo aborto o impreciso e mergulho no fundo d’alma. Em silencio solto amarras q não me dizem nada. Sigo...

Uma coisa é certa: qdo aporto nas faces do teu porto nunca saio igual

O Profeta disse...

Um sótão cheio de lembranças
Escrevi no pó palavras sem nexo
Retirei uma cartola de uma caixa de cartão
E senti ao toque o poder da ilusão

Ilusões…
Um cavalo de pau perdido ao carrocel
Uma estola de um bicho qualquer
Uma escultura talhada a cisel

Uma foto a preto e branco
De uma mulher sem rosto
Uma janela virada para nenhum lado
Uma traquitana a imitar o sol-posto

Bom fim de semana

Mágico beijo

Rosemildo Sales Furtado disse...

olá ira! Passando para te desejar um belo domingo e apreciar mais uma das tuas belas criações,

Beijos,

Furtado.

Cecília Romeu disse...

Ira, linda aquariana!
Ficou em mim o sentimento de dois portos, o que tomamos por morada e o que almejamos que o seja; e no fundo, os dois podem ser "iguais".

Grande beijo e ótima semana!

LauraAlberto disse...

Ira,

saber ficar e saber partir...
Tantas vezes parto, querendo permanecer e outras tantos fico desejando partir.

Beijo

AC disse...

Dois Porto-i-guais que alargaram um pouco mais os nossos (deles) horizontes...

Beijo :)

Cris de Souza disse...

Pessoa tinha que te ler!!!

Jorge Pimenta disse...

não basta saber o mar para navegar de tantos e tão imprevisíveis abismos que o habitam, ou não fosse o corpo do homem mais água do que tudo o resto. e as ilhas fazem-se desertos, os oásis: miragens, os navios, apenas barrote de náufrago, enquanto neptuno escarnece de movimentos atabalhoados que se batem contra as vagas líquidas de um inferno de garganta funda que engole em voragem, mais do que labareda.

beijo, querida amiga! como é bom ser marujo nos teus olhos!

Jorge Pimenta disse...

não basta saber o mar para navegar de tantos e tão imprevisíveis abismos que o habitam, ou não fosse o corpo do homem mais água do que tudo o resto. e as ilhas fazem-se desertos, os oásis: miragens, os navios, apenas barrote de náufrago, enquanto neptuno escarnece de movimentos atabalhoados que se batem contra as vagas líquidas de um inferno de garganta funda que engole em voragem, mais do que labareda.

beijo, querida amiga! como é bom ser marujo nos teus olhos!