INSPIRAÇÕES DO POETA

28 de jun de 2012

País Para Corpos, Almas não





O amor espera na sala,
Asséptica, cal, ilustrada.
Inevitável!
Há uma proibição intuída e perturbadora como carga pesada.
- A porta de diamantes -
Não avance!
Deus não entra no inferno,
Ele observa o fogo, apenas,
Não apaga, não queima.
Deus conhece as coisas com os olhos,
Não com as mãos.
Os homens conhecem as mãos!

Não há empecilho diante da passagem,
Quando a voz soprano chama.
Eis o temor do santo!
Pois existe fúria nos dedos do adorável
E esta não tem escrúpulos.
Dentro, o país pertence aos demônios subterrâneos,
Diabólicos seres de línguas obscenas e sexos úmidos.
Opressores de almas,
Que erguem espíritos confusos, em pontas de anzóis,
Sobre a boca de Cérbero.

Os corpos, não!
Deixados livres pelas paredes vermelhas,
Eles trepam até contorcerem as faces,
Depois expulsam gosma.
O ar é abraçado por cheiro de entranhas e os narizes reconhecem suas carnes.
Não amanhece no mundo suicida,
É tudo infinitamente noite e impulso, pulsos cortados,
Pescoços dobrados e muitas pernas que ajoelham loucuras.
O amor aguarda de cansaço no sofá,
Como puta no dancing, o silêncio limpo.

... Mas ainda há golpes de tortura do outro lado da porta!

15 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Olá amiga Ira, poetisa de mão cheia, construindo poemas cada vez melhores.
Um abraço. Tenhas uma linda noite.

Joelma B. disse...

e que tortura de sensações a pele se permite por aqui, Ira!!

nossa!!

Beijinho em rendição, amiga brilhante!!

Cissa Romeu disse...

Ira, linda aquariana,
palavras certeiras!

No País-Corpo o Estado é laico.
Graças a Deus!

Beijinho imenso!

assis freitas disse...

os corpos se entendem, mesmo no desencontro


beijo

LauraAlberto disse...

fogo...

a melhor forma de conhecer o corpo é sem duvida com as mãos, em sangue

"Não amanhece no mundo suicida,
É tudo infinitamente noite e impulso, pulsos cortados"

e nada mais há dizer

beijo, tu poeta

Jorge Pimenta disse...

deus conhece com os olhos; os homens com as mãos - pobre daquele que toca e quer ver; nem prometeu se submeteu a maior castigo.

tantas estrelas a percorrer os polos do corpo quando te leio, ira!

beijos!

Carol disse...

Lindo o amor aguarando cansado no sofá.
rs...

boa semana!
um beijo.

José María Souza Costa disse...

Belissima.
Profunda.
Real.
Maravilhosa.
Felicidades, pra voce.

José María Souza Costa disse...

Queria lembrar, que estou seguindo este blogue, agradavel de lermos.

Carolina disse...

Nos entregamos a o prazer mas hay cada desencontro..!
Abracos.

AC disse...

Os corpos têm uma linguagem própria, mas limitada. E debatem-se, debatem-se constantemente, até ao momento em que algo que os ultrapassa os começa a anestesiar, a amordaçar...

(Bolas, Ira, a intensidade das suas palavras abala-me sempre!)

Beijo :)

dade amorim disse...

Um de nossos aspectos mais próprios, embora muita gente ache impróprio.


Beijo beijo.

Sonhadora disse...

Minha querida

A poesia é doce e serena quando a mão está fechada segurando o amor e é punhal quando a mão já está aberta e fria...segurando apenas o tempo de quem se esqueceu de morrer...ou talvez um sonho breve entre o sono e o pesadelo.
Como sempre ler-te é uma viagem por dentro de tantas almas.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Marcelo R. Rezende disse...

Tesão, tesão esse poema seu. Gosto da parte dos joelhos.
A gente entra em cada mundo e depois não quer sair. Tou no meio termo, rs.

Beijo, linda!

Só em Palavras disse...

Como é delicioso mergulhar em seus versos!
Encantada
aguardo sua visita .
Bjs