INSPIRAÇÕES DO POETA

8 de jul de 2012

Theatron I






Skena 1
Só foi feliz quem:
Viu Deus
Pagou Caronte
Bebeu Copacabana
... os demais eram normais.

Skena 2
O corpo era tão casto, tão casto,
Que dele era possível se alcançar um milagre,
Mas a face era cínica.

Skena 3
Ela era excitante, como cocaína,
Mas gostava de silêncios.
Ele, que de tanta paixão era verboso,
Não entendia mudez de boca fresca.
Na dúvida, entre palavra e ausência,
Morreu de insônia!                      

Skena 4
Ela era tão linda e tão perfeita,
Que ficava bem na casa do vizinho.

10 comentários:

assis freitas disse...

ela e ele: sempre um descabimento: era ela, era ele, não eram, mas se faziam

beijo

Nilson Barcelli disse...

Gostei imenso, principalmente da imprevisibilidade dos versos.
Magnífico e criativo.
Ira, querida amiga, desejo que tenhas uma boa semana.
Beijo.

Thiago Castilho disse...

Seus poemas além de sensuais são inovadores. Uma delícia...
Um beijo do observador.

Marcelo R. Rezende disse...

Gostei de tudo. Não conhecia esse teu lado divertido, Ira. Explore, vale.

Beijo.

Adriana Aleixo disse...

"que ficava bem na casa do vizinho"

Isso é porque não dá para reescrever todos os versos (rs). Intensos!!!

A imagem tá tinindo...

Beijo, Ira.

Cecília Romeu disse...

Ira, linda aquariana!
Os papeis 'ele' e 'ela' se cumprindo em cena, que por vezes, são mesmo ele e ela.

Beijos e ótimos dias!

Patrícia Pinna disse...

Boa tarde, Ira. Como sempre arrasando.
Natureza feminina e masculina tão diferente e inversamente presente aqui.
Belíssimo.
Beijos, poeta inteligente!

LauraAlberto disse...

caronte só traz más noticias...
a bebida afoga-as

o teu remate da casa do vizinho prova o que eu sempre soube, a tua mestria com a ironia

beijo

AC disse...

A ironia, suprema arma...

Beijo :)

Jorge Pimenta disse...

adorno em pés de gente. suprema ironia. mas quem nunca ousou?...

beijinho, querida ira!