
Primeiro dia de um Ano Novo, um novíssimo ano embrulhado com papel de seda no tempo. O tempo que desconhece tudo! O que foi passado, o futuro que virá e até mesmo o presente, o hoje que é verdadeiramente, verde, esperança – 365 dias guardados a nossa espera, numa caixa de presente, com um papel bonito e fino, feito de sonhos e fita vermelha, que combina com coração a mil, tão repleto de ilusões.
Em apenas dez segundos, a contagem regressiva – 10... 6... 2... 1! Pronto! Estamos em 2011 e aqueles dias de ausências, de dores, de medos, de desempregos, de mortes, de preconceitos, de desilusões, de maracutaias, de políticos corruptos, de guerrilhas urbanas, de barbáries, de falta de amor, de solidão, de cansaço desaparecem como mágica.
Um conto de fada ao contrário, onde na última badalada das doze, o passado vira abóbora. Surge então o presente, agora transformado numa bela carruagem, que nos levará ao futuro, a terra da felicidade.
Tempo. Ah, o tempo! Esse menino ligeiro, estilingue e sumidouro, ele que nunca olha pra trás e dança incansável a ciranda universal, não sabe a humanidade e suas ânsias. Ele, que é a nossa única certeza, de certezas nenhuma, mas que ainda beija os olhos nossos, quando passa seu vento ameno e umedece as retinas com desejos de boas novas.
O tempo, essa excêntrica continuidade de incógnitas, abstrato e inculpado, sem lei segue seu mistério, o destino de passar e nós, autores da história; egos, ora vítimas, ora verdugos; vestimos-nos de roupas e sentimentos brancos, indulto as próprias escolhas, como rito de passagem, de renascimento, onde podemos outros desenhos, outras linguagens, pois somos poeta e poesia desse livro: O tempo de viver!
Então, que esse primeiro dia, seja amanhecido, consciente e com memórias boas e ruins, pois nos imprimem traços, porém com muita fé, como todos os dias de nossas vidas. Fé em nós, alma e carne; fé no humano, oferta e tolerância; fé no tempo, amor e alívio; e por fim, fé na vida que é gentileza e milagre de um Deus, o Deus que habita em nós, chamado Esperança.