INSPIRAÇÕES DO POETA

1 de set de 2010

Noite sem Centauro




Espreitam-me olhos tingindo pegadas e consentindo sinais, quando me investigam os dias e as poesias, de ausência afiada.
Mostram-se sob névoa, como quisessem torturar minha carne, que ressentida a escassez da pele desejada não mais tremeu, até a morte.
O que queres se não mais ambiciona a fêmea? Estreitá-la amiúde, em sua própria masmorra?
Os olhos áridos arranham-me de silêncios, o mesmo par de olhos machos que tocaram minha boca, num breve eterno tempo de casal. Percebo-os nas pontas dos meus dedos tristes, ocos, sem pálpebras a roçar-lhes. Causam-me ranhuras profundas, o efeito das palavras não ditas, pois misturadas ao orquidário de tatuagens azuis disfarçam-se, somente eu as vejo.
Desdobro-me com a dor que mata sem morrer, como Prometeu suportou seu castigo, mas sem Quirão “O imortal curador ferido“ e minhas vísceras cansam desse vaivém de morte e vida. Enlouquecem!
Meu inteiro corpo contagia-se dessa demência desmedida e implora por tua flora eriçada, pois sempre foi assim, ao toque voraz da boca minha. Suplico uma camisa de força, a força que sai de mim e me contém no desembestado momento que te amo, amo, amo, mas as amarras são vãs e minha súplica também.

10 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Que denso. ADORO textos assim.
Eu leio e começo a encenar - não que eu seja ator, mas gosto de brincar de ser, entende?
Lindo!

Beijo, Ira!

Jorge Pimenta disse...

ufa, precisei de dois fôlegos para terminar e outros tantos para repetir...
não são necessários coletes para suster a violência das palavras; mesmo em silêncio, a pujança do amor rasga a pele e erupciona em vulcões de lava fria que carbonizam o corpo e a alama. não há volta a dar... assim foi com prometeu, ícaro, sísifo e outros tantos que não desistiram de procurar.
cesariny escreveu:

"o amor só amor é já inferno
diz Dante
mas é o amor que é um fogo devorante"

um beijinho, ira de cores múltiplas!

Luiza disse...

Amei o texto...

Beijo querida...

Franck disse...

Belo texto! Se não tem Centauro, quem sabe outros astros e/ou deuses não façam festa nesta noite?
Bj*

Machado de Carlos disse...

Lindíssimas suas idéias poéticas! Parabéns! É um grande prazer vir aqui e contemplar textos e imagens de graus raríssimos!
Somos assim, precisamos de momentos felizes para valorizar o amor, tal qual o mesmo ar que respiramos!
Beijos!...

F. Otavio M. Silva disse...

è muito dificil escrever esse temática em prosa, ficou muito empolgante. Parabens. Bju.

Sil.. disse...

“O imortal curador ferido“ e minhas vísceras cansam desse vaivém de morte e vida.

Não consegui sair dessa frase...

Lindo Ira, lindooooooooo!

Eu fico até anestesiada quando leio seus escritos.

Beijoooooooooo minha amiga, já tão amada por mim!

A.S. disse...

Ira...

As palavras rasgam o ar, emergem na fúria de Centauro, enlouquecidas entre a vida e a morte, desvairadas entre o amor e o desejo!
Por vezes, não há alquimia, nem tempo, nem saber, nem poesia, mas apenas um patibulo.
Por vezes, somente a sombra do tempo se passeia...

Belo o teu poema IRA!!!


BjO´ss
AL

█► JOTA ENE ◄█ disse...

ººº
E o Centauro... existiu ou é mítico?

Bjoooooo

so sad disse...

as amarras não existem para tanta fúria! beijo!