INSPIRAÇÕES DO POETA

21 de out de 2010

Os Ratos




Era sempre a noite que os ratos daquele porão ditador saíam e vomitavam doenças, pela insônia do quarto, nunca nos livros. Eles tinham receio que a poesia curasse sua morfologia lógica e os transformassem em inutilidades, dessas despretensiosas, que só os loucos guardam. Caixinhas de música, flores em jardins, amores sem jaulas, luares contamináveis e, claro, um piano branco de cauda.

Eu tinha infância legítima e quebrava todas as amarras, mas eles queriam me envelhecer e faziam ninhos em meus cabelos, me confundiam com gritos, enquanto defecavam suas idéias roubadas de um mega catálogo de moda. Eu queria inventar meus vestidos, as margaridas atrás da orelha e bordar os sonhos no decote. Tinha muita vontade de perder o juízo!

Ontem, a noite estava inflamável e todo o cômodo queria dormir, eu queria sonhar um anjo desses que beijam nossa boca e a gente acredita nele. Ele passa a existir com pele. Só tinha alguns minutos, antes de ser invadida por centenas de roedores famigerados, que neutralizariam meu intento de escape.

Havia uma estante, que pulsava poética, no lado esquerdo com praxe de ser impulsiva. Guardava o fundamento do desatino em páginas violadas e não tive dúvidas. Abri o livro de capa vermelha, um poema de Maiakovski e os ratos, mortos de tinta, não retornaram mais ao porão, depois, louca, eu adormeci.

16 comentários:

Franck disse...

Que sua loucura proporcione-nos mais poesia...
Beijos e uma noite boa!

Marcelo R. Rezende disse...

Porque eu acho que a poesia tem exatamente esse propósito: matar os ratos, nos livrar das sombras. Clarear o ambiente... ou a mente.

rolgay disse...

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Jorge Pimenta disse...

entre os ratos e os anjos nocturnos, a certeza de que na/pela poesia um e outro - porque fantasmas - não cabem no desejo individual de saber dormir... mesmo que loucos.
um abraço, muito querida amiga!

| A.Luiz.D | disse...

é nessa sujeira, confusão
que as mãos se perdem, mas
surge a matança, a verdade poetica expulsando e, levantando a voz das palavras, o descanso e a loucura..

Esse incômodo cura,

adorei..bjos

Phivos Nicolaides disse...

Meu querida amiga Ira, tenha um lindo final de semana...Beijocas

Carolina disse...

Cara Ira, a beleza da poesia, por vezes, nos puxa para fora de determinadas épocas de loucura... Obrigado :)

Beijos e tenha un otimo fin de semana!

Érica disse...

De louco - dizem por aí - todo mundo tem um pouco... mas há loucuras soberanas, essas que aproveitam a poesia para (como disse o Marcelo) nos livrar das sombras.

bjãO

CANELAFINA disse...

Por momentos pirei. Agora conciente sinto a mente melhor. Com certeza foram os ratos, agora mortos de tinta.
Um abraço do gaucho
Eduardo

José Carlos Brandão disse...

Que loucura! Mas os anjos da poesia existem para nos livrar de nossos demônios, esses ratos!
Beijos.

Sil.. disse...

Poesia, loucura, vida...

Tudo se mistura, Ira!

Um beijo procê, amadaaaaaaa!!!

Athila Goyaz disse...

Fascinante crônica!
Parabéns Ira!
Bjus e bom fds!

C@urosa disse...

Olá Ira Buscacio, passando para uma breve visita, adorei seu blog, espero poder voltar mais vezes. Paz e harmonia em seus dias.

forte abraço

C@urosa

Eu, ΞĐU disse...

Olá, Ira... tudo bem?
Olha, estou passando aqui pra dizer que gostei muito do seu Blog, mesmo não sendo bem o seu público-alvo... rsrsrs
Achei de bom gosto, com conteúdo e mostrando bem sua sensibilidade.
Estou seguindo.
Saudações,
EDU (http://edurjedu.blogspot.com)

Carol disse...

Que lindo! Que eles não venham mais.

Saulo Taveira disse...

Moça...
nada como a sensata insensatez.

"... depois, louca, eu adormeci."
Louco, me entrego a tua poesia e mergulho em minhas entranhas roendo e corroendo coisas que nem sei o nome.

Beijos.