INSPIRAÇÕES DO POETA

14 de mai de 2012

Intolerância aos Pobres Becos Sem Saídas




Sei dos narizes torcidos, briosos, tantos, tontos,
Ao aspirarem a poeira que carrego nos dedos,
A mesma poeira de suas carnes.
Saibam que minha tinta é preta, sim!
É noite num beco sem saída de qualquer cidade,
Da minha, que leva surra no meio fio
E sorri de incompetências, esgoto aberto,
Onde há merdas, peixes-mortos e camisas de Vênus,
Todos os restos dos homens sob um céu de glória.
É que sou uma patologia que arrasta pensamentos até o umbral
E contamina as calçadas infernais, esquerda e direita,
Com os horrores da face humana.
Já engoli o amor com inquietações de quem bebe o primeiro gole,
Aguardente ardida, o vício me trepou o corpo.
Confundiu-me com belezas,
Mais tarde o dissecou.
Apossou-se das entranhas feito verme silencioso.
Que nojeira! Havia vísceras e detritos de uma vida,
Algumas células iludidas e sangue.
Ah, um sangue denso! 
Arranhando as veias e desregrando memórias e órgãos.
Não, não havia lira, nem estações, apenas um frio gélido
E sete gracejos que provavelmente viriam da alma,
Esta zona de guerras e farsas.
Sei dos narizes que rondam minha rua,
Suja e barulhenta.
E eles me aspiram, e eles me repudiam.
Não ouvem o cheiro,
Mas sentem o próprio gosto oprimido.

8 comentários:

LauraAlberto disse...

já me perdi em vielas assim, conheço muitas na minha cidade, sei as de cor

[fogo, que poema o teu... de perder a respiração]

beijo

Assis Freitas disse...

este rio que emana odores nos sentidos, e nos cobre

beijo

Joelma B. disse...

!Sei dos narizes torcidos, briosos, tantos, tontos,
Ao aspirarem a poeira que carrego nos dedos,
A mesma poeira de suas carnes.
Saibam que minha tinta é preta, sim!"

"Repudiei sempre que me compreendessem. Ser compreendido é prostituir-se. Prefiro ser tomado a sério como o que não sou, ignorado humanamente, com decência e naturalidade."
(Trecho 128 do Livro do Desassossego - Bernardo Soares)

Como és intensa, Ira!!

Beijinho carinhoso minha amiga brilhante!

Cris de Souza disse...

Sei dos teus versos irados que me invadem de bom grado.

Beijo, querida!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Ira! Passando para agradecer a tua honrosa visita e teu amável comentário, assim como apreciar mais uma das tuas belas criações, com ênfase para o trecho abaixo:

Já engoli o amor com inquietações de quem bebe o primeiro gole,
Aguardente ardida, o vício me trepou o corpo.
Confundiu-me com belezas,
Mais tarde o dissecou.

Beijos e muita paz pra ti e para os teus.

Furtado.

Paulo Tamburro. disse...

AMIGA VIRTUAL IRA BUSCACIO,

olha já tem algum tempo que descobrí o seu blog e nunca mais o deixei.

Você tinha menos tatuagens.

E sobre elas, se você ainda não conhece,poderia ouvir a música do Paulo César Pinheiro do show que fez com Márcia e Eduardo Gudim, "O importante é que a emoção sobreviva" em mil novecentos e muito antigamente, em plena ditadura militar.

Uma frase dela: "O meu único fracasso, está na tatuagem do meu braço..."

Incrível como suas lindas tatuagens desmentiram aquele fascinante autor.

Que competência, charme,individualidade flagrante elas lhe acrescentaram e como depois delas você Ira Buscacio, tornou-se uma extraordinária poeta e como seus textos cresceram em amplitude e qualidade literária.

Este aqui é absolutamente, impecável!

Nele você demostra seu lado todo que é o todo de generosidade que transborda em você.

Generosidade, percepção emocional aguçada,humanismo implosivo,
verdades incontestáveis,força de palavras corretamente colocadas e que brotam da sua sensibilidade, como cada um dos riscos perfeitos destas lindas tatuagens que, grudaram em seu corpo.

Como eu as invejo!

Quer que eu minta?

Um abração carioca

Jorge Pimenta disse...

viagem ao interior do corpo onde tanto tece e outro tanto entorpece...

beijinho!

Júlio Freitas disse...

Obrigado pela visita! Teu blog está entre os meus favoritos.
Aquele abraço.