INSPIRAÇÕES DO POETA

24 de jul de 2012

Miragem





O que ele vê
Agora que me tornei despresença
Na festa febril dos homens,
Sem paisagens habitáveis
Que mereçam um olho?

O que ele vê
Agora que só tenho bondade,
Onde antes habitava morte
E o desejo ensaiava funerais
Com dores belíssimas?

O que ele vê
Agora que sou impulso trancado,
Enquanto o tédio me lambe à boca
E as paredes maníacas dessa caixa
Nada temem de solidão?

O que ele vê
Agora que o barco já vai longe... longe!
E a menina apagou-se no cais,
Dia após dia agitando o choro
Como quem lava a face suja de dor?

Miragem!

Mas o que ele não vê
É uma diabólica serpente fingindo-se de morta!

26 comentários:

ZilMar disse...

oi Ira...

saudades daqui e de vc...

fiquei absolutamente encantada com seu poema...um outro estilo...mais intenso...mais vida...mais tudo...amei!

parabéns!

deixo meu carinho...admiração...e um grd bjo!

Zil

Fanzine Episódio Cultural disse...

BANALIDADE

Sob a mira de um revolver
A vida testemunha
Seus últimos instantes.
O gatilho dispara,
Enquanto um corpo em câmera lenta,
Despenca sobre uma poça de estatística.

(Agamenon Troyan)

assis freitas disse...

o que ele vê: desvelo


beijo

Marcelo R. Rezende disse...

Já acho o contrário, que ele vê a mesma menina, mas com experiência e uma pele tecida de vida.

LINDO isso, Ira.

Beijo.

Malu disse...

É tão bom poder navegar nas fantasias que nossos olhos, às vezes conseguem alcançar.
Se miragem ou não, há olhos que buscam as imagens mais bonitas...
Lindo este teu poema, minha querida!!!
Um grande abraço e meu carinho.

Luiza Maciel Nogueira disse...

o que vemos todos em forma de umm desejo de vir a ser acontecer

beijos

LauraAlberto disse...

o que ele vê e finge que não quer ver...

Ira, tenho mesmo de partilhar este teu texto, tão adequado... és fogo menina...

beijinho com grande admiração...

Marco Rocca disse...

Misterioso, ao passo que também surpreende. A poesias transborda de sua alma com muita sensibilidade. Aplausos amiga!

Cecília Romeu disse...

Ira, linda aquariana!
Muito lindo, menina!

O que ele vê?
Apenas a visibilidade da presença. E o que se escapa disso?

Beijos e ótimo fim de semana!

Úrsula Avner disse...

Olá querida, seus poemas sempre fortes, intensos, profundos, me fazem refletir...Prazer em te ler de novo ! Beijos.

Sonhadora disse...

Minha querida

Por vezes ao nosso lado apenas existe uma presença ausente...uns braços vazios de vida e um olhar que olha mas não vê, como sei do que falas no teu intenso poema.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Anna Amorim disse...

Muito bom. Forte. Gostei da tua escrita. Vou circular por aqui.

Anna Amorim

Anna Amorim disse...

P.S: Faço ainda minhas as palavras da Sonhadora.

Anna Amorim

Sandra Subtil disse...

Verá certamente o teu talento, que é enorme.
Beijo

Joelma B. disse...

e o que não se vê é o que move as miragens!

beijinho, Ira imensamente brilhante!

meus instantes e momentos disse...

sou suspeito em falar dos teus poemas. Acho bonito antes mesmo de voce escrever...
Maurizio

Ingrid disse...

vim conhecer teu cantinho e me deparo com tanto..
leio e releio este poema de intenso sentir..
beijos.

Carolina disse...

Eu estou voltando para apreciar a poesia deslumbrante, tu palavra clara, minha querida. Voce e sua familia estan esplendidas!
Deixovos um abraco e continuou a trabalhar com o meu próximo tópico.

" Amanda Lopes" disse...

Obrigada pela visita ao meu blog!!

Gostei bastante do seu, está lindo!!

Beijos... ♥

Rafael Castellar das Neves disse...

É... e são tantas destas nos nossos dias, não é?

Muito bom,

[]s

Jorge Pimenta disse...

quanto mais próximo do que não vemos, mais sabemos e menos dizemos. de que matéria se fazem as utopias, afinal?

beijinho!

Fred Caju disse...

Sempre com um final fuderoso.

vieira calado disse...

Minha 1ª visita. Gostei do que li.
Saudações transatlânticas!

Caroline Godtbil disse...

Miragem... é a despresença que tange a realidade... como a vida tange a eternidade.
Beijo.
Sigo contigo.

Lily disse...

"O que ele vê
Agora que o barco já vai longe... longe!
E a menina apagou-se no cais,
Dia após dia agitando o choro,
Como quem lava a face suja de dor?

Miragem!

Mas o que ele não vê
É uma diabólica serpente fingindo-se de morta!"

Estou tentando publicar no FB, mas ele está agarrando...

Adorei esse trecho!

Beijos,

Suzana Guimarães - Lily

Cris de Souza disse...

Eta, Ira!

A cada miragem, outra viagem.